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Tem criança que aceita a festa que os pais escolhem. O Jojo não é assim.
Aos quatro anos, o Joaquim já sabia o que queria: a Fazenda da Grama, em Itupeva, os amigos que ele mesmo escolheu, e o Homem-Aranha — mas não qualquer um. O Peter Parker e o Miles Morales. Os dois.
E foi exatamente isso que aconteceu.
A festa foi pequena por decisão dele. Sem muita gente, sem encher de convidados que ele não conhece bem. Só os amigos de verdade, o espaço que ele gosta, e um tema que não é moda passageira — é amor mesmo, daquele que aparece na camiseta, no chinelo, no jeito de correr pelo gramado como se a teia fosse sair do pulso a qualquer momento.
O Peter Parker chegou. O Miles Morales chegou. E quando os dois Homens-Aranha apareceram no meio da festa, o Jojo foi de um tamanho para outro — não de altura, mas de presença. Tem uma expressão que criança pequena tem quando algo ultrapassa a expectativa, quando o real fica maior do que o imaginado. Ele ficou assim. E ficou muito tempo assim. As brincadeiras foram de mão em mão, de grito em grito, do jeito que festa de criança precisa ser — barulhenta, suada, sem hora certa para acabar a energia.
A decoração estava lá, e estava linda: o rastro de balões cruzando o teto feito uma teia, os prédios de papelão, as onomatopeias nas paredes, o bolo com o skyline da cidade à noite. Mas tudo isso virou cenário — o que ficou em primeiro plano foram as crianças dentro dele, correndo, gritando, disputando atenção com os heróis.
O momento que guardei com mais carinho foi simples. O Jojo pegou um biscoito decorado — aquele com o próprio rosto estampado em glacê, ele mesmo em fantasia, com o cachorrinho preto no colo — e ergueu em direção à câmera. Sério. Orgulhoso. Como quem diz: olha, esse aqui sou eu.
Com quatro anos, já sabe exatamente quem é. E teve uma festa que provou isso.
